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sábado, 12 de novembro de 2011
Os papéis do professor e do aluno
" ... haverá uma revolução no que concerne aos papéis de aluno e de professor."
O professor-informador e o aluno-ouvinte serão substituídos pelo "professor-animador" e o "aluno-pesquisador", mutação que já pode ser realizada amanhã, pois não exige investimentos com recursos materiais. O problema da pesquisa versus ensino será superado pela generalização da pesquisa: tudo na escola do futuro será atividade de indagação e desalio para descoberta de soluções novas. A velocidade da substituição do conhecimento eliminará a idéia de ensino e desafiará a pesquisa em todos os domínios mesmo das crianças do jardim de infância (ver Arte Infantil). A escola não será a "casa dos professores", mas a "casa das crianças" como já queria Montessori. A medida de sua organização não será o adulto, mas seus mini-habitantes. Como na Idade Média, quando foram fundadas as universidades, os professores serão escolhidos pelo aluno, uma vez que serão meros "experts" a sua disposição. É mesmo possível que a função de professor desapareça por generalização: todos os adultos passarão a ser "professores" das novas gerações, como foi na aldeia tribal ... A idéia de ensino será substituída por uma auto-aprendizagem (ver A ESCOLA SECUNDÁRIA MODERNA), cabendo ao professor criar situações (animador) em que os jovens se disponham a utilizar a informação de que está prenhe o ambiente. Ora, utilizar a informação do ambiente é, simplesmente, pesquisar. A atividade do aluno não se distinguirá, fundamentalmente, da do cientista. Não se tratará, como diz Mcluhan, da mera dramatização do processo de redescoberta, mas de uma atividade, realmente, original. Dado a velocidade da mudança, o desafio que se proporá ao aluno versará sobre o "próximo passo", disparando um processo universal de criatividade. Também o operário da fábrica será desafiado a inventar a próxima máquina dando, realmente, um sentido construtivista universal à atividade humana. Em vez de cultivar-se a tradição, projetar-se-á, permanentemente, o futuro. Em vez de estudar-se a história, far-se-á prospectiva. Ora, tudo isso retira ao professor seu trunfo histórico de "depositário de conhecimento": ele terá que colocar-se perante o desafio na mesma posição indagadora do aluno, podendo seus resultados ser inferiores aos obtidos pelos jovens, mesmo porque os jovens não possuem os percalços dos quadros mentais esclerosados próprios dos adultos.
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quinta-feira, 30 de junho de 2011
Quando termina a vida familiar?
A família equivale para o desenvolvimento da criança ao útero com relação ao embrião: numa certa altura do desenvolvimento, a criança deve ser expelida da família como o feto é expelido do útero.
Antes de existir escolas (já houve tempo em que não existiam escolas!), ninguém punha em dúvida que crianças deviam ser educadas pela tribo e, posteriormente, pela família...Agora se discute se é a família ou é a escola quem deve educar...A família é o arquétipo atávico de educação. Durante milênios, não houve outro meio para educar. E, apesar de não existirem escolas, a humanidade não se degenerou. Progrediu sempre até produzir os luminares que hoje negam à família o direito de educar. Fosse qual fosse a organização social, um filho foi sempre o produto da união de um homem e uma mulher, quer isso se chame família ou não. Sem o apoio inicial deste casal, nenhuma criança consegue sobreviver. Quando termina esta fase? Eis o problema.
O homem é extremamente desprotegido quando nasce. Não sobrevive sem proteção. Desse modelo inicial e básico, a escola só se tem afastado através do tempo. Até os extremados defensores da família como unidade básica e absoluta de educação fazem da escola autêntica antagonista dos processos naturais de educação usados, tradicionalmente, pela família. Até sete anos – anos decisivos para a educação – a criança não tem outro meio para se educar, salvo em países onde se propagaram jardins de infância, escolas-maternais e creches, coisas de que estamos bem distantes ainda. Se a natureza nos deu um modelo que provou, através do tempo, sua eficiência, porque havemos de construir nós uma contrafação de família para educar? A família é órgão heterogêneo, constituído por um homem e uma mulher, logo mais cercados por crianças de ambos os sexos, de idades diferentes, vivendo uma vida autônoma , embora profundamente mergulhada no meio social. Serve de pára-choque entre o meio social e as crianças, enquanto estas amadurecem e se preparam para serem incorporadas à sociedade adulta. Poderia ser reproduzido na escola este modelo atávico? Se a família não é um núcleo neurotizante, é um início de aprendizagem.
A aprendizagem ali é espontânea. Cada um ensina o que sabe e torna comum sua experiência. As valências são profundamente diferenciadas, dada a natureza heterogênea do grupo, as diferenças de idade e de sexo. Não há, na família, o que se chama, na escola, ‘’programa’’. A vida entra de portas adentro com toda a sua autenticidade, em cada momento, produzindo em face do mundo adulto, mas sofre suas próprias convulsões internas, também forma necessária de aprendizagem. O pai dá segurança em face do meio. A mãe, o equilíbrio emocional interno, fazendo a justiça miúda que se diferencia de acordo com as idades e as aptidões. Os mais velhos ajudam os mais moços e poupam aos pais novos esforços. Todos se julgam iguais, mas reconhecem a superioridade dos mais experientes. Existe intensa circulação psicológica dentro do grupo e a solidariedade é intensa. Os mais velhos aceitam a sobrecarga que escapa dos mais moços. A divisão do trabalho é aceita como fatal. Que há de parecido entre isto e uma escola?
Quando a partir de sete anos, a criança descobre que a família não pode dar todo o clima de que necessita para uma maturação, ‘’abandona-a’’, paulatinamente, e vai crescendo para a comunidade. Mas entre uma e outra existe essa fase de transição que se inicia pelo bando (de crianças), prossegue no grupo (de adolescentes) para terminar na equipe (de jovens). Ora, a escola recebe o jovem, justamente, nessa fase ‘’grupal’’, de modo que para favorecer a maturação nada mais deve fazer que aceitar a forma natural do crescimento humano. Por outro lado, nesta altura, a família deve começar a renunciar ao controle que até então vinha exercendo sobre a criança, deixando que respire livremente, como quando o feto completou nove meses de gestação: é hora da ‘’graça social’’, terminou praticamente a função da família, iniciando-se a vida de comunidade. O trágico para o jovem é que a família nunca admite que terminou sua função. Não devia o feto nascer...
Conflitos no Lar e na Escola
Editora: ZAHAR
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