quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O bom papel do intelectual: agitador social•

Roberto Amaral

Da personalidade riquíssima, multifacetada --e muitas vezes desconcertante de Lauro Oliveira Lima-- destaco aquela característica que mais me marcou e fascinou: a do pioneiro. Emprego o termo querendo pôr em relevo seu caráter mais essencial. Designo aquele desbravador que está fora do tempo, do seu tempo, antecipando-o (como os poetas, os cientistas e os visionários), e, portanto, chocando-se, porque o novo incomoda, a dúvida incomoda e as mudanças são sempre perigosas para os inseguros.
Aliás, eis um caráter distintivo do intelectual militante: o comprometimento com a mudança, a intervenção na realidade, o desprezo pela tradição, o inconformismo com o statu quo. O intelectual pioneiro -– e estamos em face de uma quase redundância— não teme ser temerário, conquanto que jamais seja omisso.
Assim, o pioneiro, qualquer pioneiro é, por definição um gauche, uma amolação, pois sua efervescência, por si só, denuncia a pasmaceira, a renovação denuncia o comodismo, o revolucionarismo denuncia o conservadorismo. Encontro agora o ponto mais distintivo de Lauro: sem ser necessariamente um homem de esquerda ---e eu o conheci udenista--- foi sempre e é –- como educador, como escritor, como intelectual-- um anti-conservador por excelência, um demolidor da paz, da 'ordem natural das coisas', do 'estava-constituído', do statu quo. Uma onda de vento espalhando a papelada bem arrumadinha da burocracia, um redemoinho na ordem pré-estabelecida. Incomodando, portanto. Esse papel de um quase iconoclasta não deriva de boutade. Ora, ocorre que o assentado necessita da imobilidade e Lauro jamais arrefeceu diante das resistências. Eu sempre o vi abrindo caminho, forçando passagens, brigando, discutindo, reclamando, mas, acima de tudo, confiando no outro, estimulando-o, sinceramente convencido de sua missão de construtor. Construtor de homens. Este o grande mérito de sua pedagogia.
A partir de uma formação educacional-formal conservadora ---o Seminário, como quase todos os de sua classe no Limoeiro do Norte do seu tempo--- Lauro, fez-se intelectual nos embates da vida. Mas armou-se desde cedo daquela característica que separa o simplesmente erudito do verdadeiramente culto: nele a dúvida, mais que um método de pesquisa e análise, é o caminho do conhecimento que leva à intervenção. Conhecer para modificar. Ou seja, na melhor tradição daqueles intelectuais que foram beber água na fonte do Iluminismo: nada de verdades acabadas; relativizar sempre as certezas, exercer sempre a contradição, procurar o desconhecido, pôr em xeque o nosso conhecimento e as nossas idéias confrontando-as com as idéias e os conhecimentos que as negam e contradizem.
Depois de professor, foi didata; depois de didata foi pedagogo, depois de pedagogo foi pensador, repensando a educação de seu país. Começando pela cátedra (isto é, a experiência prática, fatual objetiva), para terminar na formulação. Não terá sido mero acaso, por tudo isso, que o hoje doutrinador consagrado, o autor do já clássico Escola secundária moderna tenha começado com o projeto concreto de reformulação do ensino público no Ceará e a montagem de uma escola particular. Sem nenhuma contradição.
Talvez eu incida numa heresia ao afirmar como afirmo agora que este professor jamais teve a sala de aula, no sentido da cátedra e das quatro paredes, como o seu espaço preferido de trabalho. Ao contrário, sempre privilegiou estar atrás do que estava atrás da sala, sem ocupar o proscênio: a discussão dos métodos, a discussão dos conteúdos, a discussão em torno do que dizer e como dizer, fazendo da sala de aula não apenas a máquina retransmissora de conhecimentos, mas o instrumento dialético-vivencial formador de homens e opiniões. Repito de memória -- lá se vão tantos anos que nem vale a pena contar-- o que, se me recordo bem, era o seu lema e o lema que imprimia o seu Ginásio Agapito dos Santos, onde intentou pôr à prova, como cientista que se dedica à demonstração experimental, suas teorias educativas: Non scholae sed vita discimus. 
Essa inquietude fez do educador também um jornalista --outro magistério-- de combate, um cronista de seu tempo, bacamarte apontando permanentemente para o tradicional e o convencional. Ficaram famosas do público cearense --embora muitas vezes provocando mal-estares na cúpula do jornal-- as crônicas de Kleber Santos no O Povo, de Fortaleza (e quando elas serão reunidas em volume, para salvarem-se da dispersão e da vida efêmera das folhas?). O cronista trouxe à luz o crítico fino, irônico, o raciocínio arguto enluvado por uma prosa leve, saborosa mas contundente quando se tratava de ir fundo na questão. Nas mãos deste anatomista o bisturi atingia as profundezas da crítica.
Jamais conheceu o meio termo, fazendo, dizendo, agindo, ou pensando. Nunca se preocupou com o consenso, com a isenção. Se não lhe atraía provocar a malquerença, posso dizer, jamais cultivou as amizades fáceis. Optando sempre, escolhendo sempre, definindo-se sempre, exige a definição dos que o cercam; à isenção, ao distanciamento falsamente científico, responde como um apaixonado pelas coisas que faz, irradiando inimizades e paixões por onde tem passado. Por isso é um homem de poucos amigos, mas de amigos fiéis.
Essa inquietude fez de Lauro ---e é isso o que estou querendo dizer-- um político, sem jamais institucionalizar-se, ou ceder à tentação de sentar na cadeira do ‘medalhão’, ao contrário de tantos e quantos colegas de geração menos dotados de engenho e arte. Na sala de aula não fez mais que política. Sua obra é a busca de uma política de ensino. Diretor ou chefe da Seccional do Ministério da Educação no Ceará, dirigiu-a perseguindo políticas. Sua luta como Diretor do Ensino Secundário, no MEC, ao tempo de Paulo de Tarso e Darcy Ribeiro, foi dotar nosso país, de particular o ensino público, a escola pública, de uma política de ensino que visava não só à excelência da formação, como à democratização, via universalização, do acesso de todo brasileiro a esse novo ensino. Relembro a unidade universalização-excelência para garantir a democratização. 
Quando quase tudo havia feito, quando quase tudo havia escrito, decidiu fazer política de corpo inteiro, candidatando-se a deputado federal pelo PSB do Ceará.
Terá sido esta experiência um fato isolado, inconseqüente? Parece-me que não. Destaca ela, ao contrário, no teórico da educação, o objetivo que sempre perseguiu, na cátedra, no cargo público, na formulação como escritor e jornalista: intervir na realidade para transformá-la. Certamente sem consciência desse papel --desconfio de que jamais leu um texto de Marx--, sua vida toda tem sido responder afirmativamente à 11ª tese contra Feuerbach: "Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo diferentemente, cabe transformá-lo".
Qual o objetivo de sua pedagogia? Mudar o mundo. Como? Mudando o homem através do conhecimento ativo, voltado para a mudança. O conhecimento, a informação, a técnica destinados a transformar a realidade, fazendo-a menos iníqua. Portanto, tinha toda a razão a direita cearense quando, ecoando no Sul, o ferrava como agitador social. Não sei se ele gostará dessa afirmação, mas estou convencido de que este foi o mais importante dos papéis que desempenhou, agitando a província pachorra, mexendo com uma elite perversa, retrógrada, atrasada, fútil, incompetente, uma classe-média amedrontada, conservadora, um clero inculto e reacionário, um proletariado incipiente controlado pelas organizações burocráticas, um mundo agrário sem vida, dominado por coronéis decadentes, povoado de camponeses famintos derrotados sem luta, pois antes do latifúndio já os mata a seca. Vida intelectual ativa quase nenhuma. Vida política cingida por partidos políticos vencidos. Imprensa provinciana presa às tetas do governo, qualquer governo, ensino público primário e secundário aviltado, universidade provinciana em formação e já perseguindo os caminhos errados que a levariam nacionalmente ao colapso de hoje.
Voltemos ao tema ‘mudar o homem’. Tenho a impressão de que todo educador alimenta esse objetivo, ainda que dele não tenha, necessariamente, consciência. Não se trata simplesmente de passar e repassar conhecimentos destinados à breve caducidade na sociedade tecnológica. Trata-se de ensinar a vida. Procuro aí uma explicação para que o schollar da escola secundária moderna se tenha voltado, piagetianamente, para o ensino de crianças, do pré-primário, com um olho nos pequenos estudantes e outros nos pais, nas famílias recalcitrantes diante de qualquer infração à rotina, ao tradicional, ao tradicionalismo. E a escola tradicional – e ela impera no Brasil, principalmente a pública, a única que enseja a presença do pobre e pode assim contribuir para a democratização— é incompetente, insatisfatória e reacionária, num processo de piora notável, que mais se agudiza quanto mais os últimos representantes da classe média correm para a escola privada. É assim que a sociedade de classes aprofunda a desigualdade de classes.
Conheci e convivi com Lauro em diversificados momentos de nossas vidas. Muito menino, no Ginásio Farias Brito, onde cursava o primário, e Lauro assumiu a direção pedagógica do estabelecimento. No seu Agapito dos Santos, onde fiz o curso ginasial, como seu aluno de latim e português. Mais tarde, na universidade, eu líder estudantil esquerdista e Lauro educador/intelectual progressista no Ceará atrasadíssimo e, logo a seguir, diretor do MEC, onde tentamos um livro em comum cujos originais, que jamais lograram conhecer os prelos, terminaram por engrossar os dossiês dos muitos inquéritos que cada um de nós por seu lado respondeu depois dos idos de março de 1964. No MEC foi alcançado pela repressão que o homenageou com a cassação dos direitos políticos e o puniu com aposentadoria compulsória e proporcional. Que melhor reconhecimento quereria ele do acerto de sua obra? A terceira ou segunda fase de nossa convivência se deu nos anos de chumbo. Quase-clandestino e quase-exilado dentro de meu país, a caminho de um exílio no exterior que os fados decidiram frustrar, fui reencontrá-lo no Rio, saída obrigatória, na dura tarefa de assegurar a própria sobrevivência sua e de sua família. Aí emergiu um outro lado de seu caráter pessoalíssimo: o amigo generoso. 
O meu reconhecimento pelo seu significado tentei, com lucro, demonstrar da única forma que me pareceu objetiva. Entregando-lhe, na Escola piagetiana que montaria no Rio, a educação (formação) de meus três filhos. Que me ficaram gratos.
(1996)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Homenagem de Maria



 Queridos amigos,
Compartilho com todos essa carta. Emocionante relato de uma mãe inteligente, física e que teve 3 filhos na Chave.
Beijos
Beta



Beta,
Soube pela Lia da morte de Lauro e queria te dizer que fiquei com a sensação de que estamos um pouco mais sozinhos. Gostaria de compartilhar um pouco com você a tristeza desse momento.

Lauro modificou minha visão de educação desde os primeiros meses de convivência com o método psico-pedagógico na Chave do Tamanho. Acompanhei o desenvolvimento dos meus filhos com profundo interesse não só de mãe como de professora. Via o modo como eles aprendiam a lidar com os problemas, tranquilos e cheios de auto-confiança, não porque o colégio era fácil mas porque a cada etapa sabiam onde estavam pisando. Resultado do trabalho continuado e quase intransigente de vocês em levar a efeito os estudos de Piaget.

Lauro mostrava que ensinar a pensar é saber ouvir, mais do que saber falar. As respostas que as crianças nos dão dizem se o que falamos tem sentido para elas. Lembro de Lauro,com seu jeito irônico e provocativo, dizendo a nós, aturdidos pais,  que cada coisa tem seu tempo; aos pais  ansiosos dizia calmamente que as crianças precisam contar palitinhos e grãos de feijão antes de somar números no papel. Querendo dizer que não adianta pular etapas, é inútil.

Esse foi o maior ensinamento que Lauro me transmitiu. Foi tão marcante que durante anos tentei usar essas ideias nas aulas de física, o que, por diversas circunstâncias da vida acadêmica, só há pouco tempo pude levar a efeito, como você sabe. No ensino da física, mesmo na universidade, algo muito semelhante à educação das crianças acontece. É inútil “explicar”. A nossa linguagem não foi feita para os conceitos científicos. Hoje levo os alunos para o laboratório antes de tudo. O experimento é a atividade concreta da física, os “grãozinhos de feijão” do aprendizado da física; os alunos constroem o formal depois, com muito mais segurança. Não foi fácil no início, como não deve ter sido fácil no início da Chave do Tamanho, porque não existe um caminho discernível quando enveredamos no método, ele se faz com o tempo.

A triste notícia de que Lauro nos deixou torna-se ainda mais triste quando vemos que ainda existem poucos seguidores para suas ideias - imagino que isso não o incomodava muito, por causa de sua personalidade forte e porque acreditava no que fazia. Perdemos nós. Tenho esperança de que um dia o método psico-pedagógico que ele fundou venha a ser mais conhecido e aceito. Afinal, o vácuo educacional do Brasil não deixa de ser também um espaço aberto para mudanças.

Um grande abraço para você e sua família,
Maria.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Missa 7o. Dia Professor Lauro de Oliveira Lima


Falecimento Professor Lauro de Oliveira Lima


Lauro de Oliveira Lima, meu pai, meu amigo, meu Mestre, meu guia pela vida toda ...

  Um homem de idéias, ações e convicções fervorosas. E ao mesmo tempo um homem flexível e aberto às possibilidades de seu tempo e do tempo que viria. Lauro de Oliveira Lima sabia, desde o início da vida, que sua missão não seria fácil, e estava preparado para enfrentar os desafios. Ser visionário, é ter visão. Não apenas a visão de seu tempo, mas a aquela que permite enxergar para além da cortina de fumaça que o dia a dia impõe a maioria. E Lauro de Oliveira Lima enxergou além.
   Nunca foi de pequenas causas ou coisas. Tudo que fez foi superlativo, desde o arranco de uma situação de miséria extrema na caatinga nordestina para o reconhecimento internacional de sua obra, passando por vasta prole que criou com sua amada Maria Elisabeth, a saudosa Beinha. Desde a saída de uma profunda depressão causada por sua prisão nos cárceres da ditadura militar para a produção de uma obra fundamental para a Educação Brasileira. Enfrentou de tudo nessa vida, sempre com a espinha reta, sempre com o olhar de quem procura as grandes soluções, maior que seu tempo, maior que seus detratores, maior que a mediocridade. Sempre maior.
   Mais de trinta livros sobre Educação. Criador do Método Psicogenético e autoridade no assunto reconhecido pelas inúmeras comendas, títulos, homenagens de todos os tipos. Amado por suas idéias vanguardistas e por isso mesmo também odiado por aqueles que temem a mudança. Inspirador de gerações e agente de transformação de inúmeras e incontáveis vidas ao longo de sua trajetória. Homem de família, pai, avô, bisavô e amigo, sempre interessado no desenvolvimento de toda sua descendência. Amoroso a seu modo, carinhoso do seu jeito. O jeito de quem percorreu a vida fazendo valer suas idéias lutando sempre, mesmo que contra exércitos extraordinariamente mais fortes.
   Lauro de Oliveira Lima foi, é e sempre será  uma necessidade. Sem homens como ele, o mundo seria de uma pasmaceira absoluta. Lauro de Oliveira Lima foi, é e sempre será um “motor da história”. E como a humanidade não é generosa com aqueles que tem a capacidade de mudar seu modo de ser, veremos ainda seu nome brilhar quando, finalmente, essa mesma humanidade estiver preparada para entender que inteligência é algo maior, que pode ser desenvolvida e que é a única ferramenta viável para o mundo que já estamos vivendo e que será, em formato extremo, o mundo de nossos filhos.
   Estamos de luto. Mas voltaremos a publicar em breve, divulgando sua obra e propagando seu legado.
Beta

segunda-feira, 5 de março de 2012

Competição


A variedade de indivíduos e suas qualidades específicas tornarão a competição sem efeito e, certamente, impossível”

Para haver competição - supõe McLuhan - é preciso haver similaridade entre os adversários e objetivos coincidentes. A extrema “especialização” tornará cada ser humano tão especial e único que, em vez de competição, haverá cooperação (complementaridade). É a idéia de Dinâmica de Grupo: a especialidade é do indivíduo; a cultura é do grupo. Aliás, o fenômeno já se mostra impositivo nos “grupos diretores” de empresa que coopera uma equipe de profissionais diferenciados. Um grupo de cirurgiões, no ato operatório, é bem o exemplo de superação histórica da competição, desmentindo a “convicção” de que só a confrontação egoística e voraz motiva o ser humano para a produtividade. É lógico que será longo o caminho da cooperação, uma vez que muitos hábitos e valores terão que ser substituídos, devendo a humanidade subir a um nível de operacionalidade que ainda é privilégio de grupos de elite. A cooperação exige interesses comuns, complementação de aptidões e alto nível de operacionalidade (reversibilidade, compositividade, etc). Foi preciso uma longa marcha para que a humanidade (a partir da globalidade da aldeia tribal) voltasse à globalidade agora da aldeia eletrônica. O sistema de produção, por exemplo, não é mais constituido de uma cúpula restrita e  e uma imensa massa indiferenciada : as especializações distribuem-se , completamente, por uma ampla escala de diversidade, que não permite o antagonismo mortal previsto por Marx. Os núcleos familiares latifundiários e auto-suficientes explodiram diante da urbanização  e da industrialização, levando seus membros aos mais variados engajamentos e destruindo os interesses comuns deste “pequeno estado dentro do estado”: assim, já não existem as lutas de clãs características da Idade Média e dos países ainda em nível agrário. A empresa é o novo núcleo de ordenação social que desconhece o “pedigree”, estruturando-se  através da complementação infinita das funções.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A Origem do Poder (Parte 3) [final]



[ Última Parte ]

Capítulo 23
ORIGEM DO PODER
“Os mecanismos da Liberdade” - Lauro de Oliveira Lima



A dominação (e poder, portanto) provém de uma prótese qualquer, criando-se uma reação em cadeia, de modo que cada prótese adquirida implica em aumento de poder e cada aumento de poder redunda na possibilidade de o indivíduo adquirir novas próteses. O “poder” pois, é o mecanismo exterior à relação que provoca aparente equilíbrio onde ele realmente não existe. Esta reação em cadeia levaria o indivíduo, grupo ou classe ao poder absoluto se, num certo momento, esse processo circular não deixasse de receber realimentação. Com o tempo, se não aparecessem mecanismos corretores, o grupo que domina o poder passaria a ser uma nova espécie, cujo “alimento” seria a espécie dominada... Contudo, esses mecanismos corretores aparecem. O desenvolvimento da inteligência, por exemplo, a prótese que maiores vantagens acrescenta na capacidade de dominação, não de pode fazer sem relações de reciprocidade, isto é, sem supressão da dominação. Deste modo, em certo momento, não interessa mais a quem domina pela inteligência levar a dominação avante à custa de seu desenvolvimento integral, e mesmo podendo-se dizer, mutatis mudandis, de outras próteses. Em geral, espera-se que a reação contra o progressivo aumento de poder de dominação provenha de uma revolta dos dominados, o que é pouco provável, pois a dominação implica no enfraquecimento progressivo da capacidade de reação. O caso da libertação das mulheres, por exemplo, é bem elucidativo.
Num certo momento histórico ou psicológico, começou a ser empobrecedor para o homem-dominador o estado de dominação da mulher - o convívio com um débil mental, por exemplo, é prejudicial ou pouco estimulante - , de modo que os próprios machos mais inteligentes  começaram a promover o desenvolvimento das mulheres por puro egoismo. Os historiadores afirmam que a abolição da escravatura tem explicação semelhante … A necessidade que o sistema capitalista teve de engajar a mulher na produção (sociedade de consumo, mão-de-obra barata, convocação dos homens para a guerra, etc) levou o establishment a promover o desenvolvimento da mulher, fato que cria uma reação em cadeia capaz de  levar a mulher a procurar sua própria libertação. Tudo isso pode ser repetido em relação a qualquer classe ou grupo social dominado: não há exemplo histórico em qualquer grupo social longamente oprimido se tenha libertado sem que o processo haja sido iniciado pelo interesse (quase sempre imediatista) do próprio dominador. Os empresários atuais começaram a compreender, por exemplo, que a manutenção de rígida hierarquia e de dominação brutal não é de seu interesse a curto prazo. A  dominação priva-os da boa vontade, da criatividade e da cooperação dos subordinados, fato que os leva a permitir e estimular atitudes de  autonomia (no mínimo criam  mecanismos de “promoção humana” e de “relações humanas” que, por mais interesseiros ou hipócritas que sejam, iniciam um processo a longo prazo de rebeldia contra a dominação). Para o conflito, a solução é a associação e o contrato social (a democracia).
Mas os organismos vivos não iniciam a vida abruptamente: há sempre um período maior ou menor de crescimento. A primeira prótese ontogenética que dá vantagens a alguns indivíduos sobre os outros é a  condição de “progenitor” e de “educador”, prótese que, em termos antropológicos, denomina-se gerontocracia. Pode-se, pois, dizer que a dominação, isto é, o poder, tem sua origem biológica (ontogenética) na paternidade, e a filogenética na gerontocracia e não simplesmente na desigualde econômica e na usurpação da mais valia (o contrário é que  deve ser verdadeiro: o poder permite a usurpação). Assim, não se elimina a dominação simplesmente ao evitar-se a desigualdade econômica … Tanto é assim que o próprio Marx julga que os oprimidos podem rebelar-se contra esta usurpação e corrigir a situação … mediante a tomada do poder! Da posse do poder é que se iniciaria a homogeneização econômica … O fenômeno do poder, pois, é muito mais complexo e tem origens muito mais profundas. Quando Marx investiu, por exemplo, contra a religião, admitia consciente ou inconscientemente que o estado de dominação dos oprimidos não se explica apenas pelas desigualdades econômicas. O que os marxistas chamam “alienação”, a psicologia hoje explica como um estado de “infantilização”... todo dominador é, no fundo, um pai (carinhoso ou brutal, como ocorre serem os pais). A liberdade, pois, é antes de tudo a morte do pai (seja qual for a natureza da paternidade). O indivíduo só é adulto quando não reconhece mais paternidades, isto é, quando deixa a condição de filhote. A mística da paternidade humana domina avassaladoramente onde quer que a dominação não resulte da simples coação física. Quase sempre a própria dominação física não dispensa uma ponderável dose mística de relação paternal, começando pela universal  convicção de que Deus é o pai de todos os homens, com poderes absolutos de premiar e castigar... A comprovação de que houve esta independentização é o conflito, e sua solução, o acordo, isto é, a relação democrática em que as partes se tratam com respeito mútuo (“moral da solidariedade” frente à “moral heteronômica do dever” - Jean Piaget).
Quais as funções básicas do pai? Quais as funções úteis e biologicamente indispensáveis enquanto o filho está em crescimento e é ainda incapaz de prover seu próprio sustento e defender-se das agressões do meio? São as mesmas funções exercidas pelo útero. São precisamente as que correspondem ao funcionamento autônomo de todo organismo: [a] alimentar. [b] proteger e [c] desenvolver o filhote, de modo que, transpondo o problema para o nível sociocultural, pode-se distinguir, na origem, três tipos básicos de dominação ou de poder: [a] econômica (alimentação), [b] educacional (desenvolvimento) e [c] política (defesa). Quando, na adolescência do filhote, se manifestam os primeiros sintomas de rebeldia, os pais invocam, invariavelmente, sua “obrigação” de alimentar, orientar e defender o filhote, a seu ver “ainda” incapaz de sobreviver de forma autônoma. Isto revela um aspecto ambivalente na dominação, aspecto que aparece claro na proposta tecnocrata de uma sociedade gerida por uma classe social mais sábia: é a noção de paternidade transposta para o nível sociológico.
Os tiranos também apelam para este tipo de argumento: desenvolvimento (alimentação), segurança (defesa) e pureza ideológica (orientação), argumentos que mascaram a dominação. Quando esta dominação biológica (ontogenética) passa a ser sociológica (filogenética), temos os três sistemas básicos de dominação existentes na sociedade: [a] a que compreende a posse dos meios de produção (dominação econômica), [b] a que compreende a ideologia do grupo (religião, educação, tabus, valores, costumes, etc), [c]  a que compreende a organização social, cuja finalidade é a pretensa defesa dos direitos do indivíduo inerme perante os mais fortes, defesa que será feita pelos que têm o poder máximo - o Estado e sua burocracia, sobretudo a polícia, que adquire permissão de usar a violência. Basicamente, mesmo do ponto de vista biológico, o poder do pai se expressa por seu poder de “disciplinação” (força física) que vem a corresponder, na ordem sociológica, ao poder executivo (poder armado), de modo que , em última análise, todo poder é coação (assimilação). O próprio pai, a certa altura, não poderia continuar a ser pai (protetor) sem a capacidade de coação, o que mostra a farsa das alegações de proteção... Quando o poder de coação baseado na força corre perigo, o pai usa o “poder econômico” para dar-lhe nova solidez (do ponto de vista sociológico, esse fenômeno aparece como “estatização”).
Porém, mais que o poder econômico (que é exterior), é o poder ideológico (doutrinação) que garante a dominação, na medida em que é a organização das relações sociais. Deve-se entender que o político é a essência do poder, razão pela qual o Estado (expressão do poder político) se fortalece na linha da absorção progressiva destas duas outras formas de dominação. A censura (negativa) e a propaganda (positiva) governamentais, por exemplo, são as formas de “estatização” da pluralidade ideológica da sociedade (o totalitarismo político leva ao totalitarismo econômico e este, necessariamente, ao totalitarismo ideológico), de vez que a ultima ratio do poder é a força. Ora, a força é simplesmente a manifestação da capacidade de assimilação do objeto.
O poder, pois, é basicamente a força (capacidade de dominar), quer esta força provenha das baionetas, quer do controle econômico (alimentação) ou ideológico (dominação da “alma” do dominado). No fundo, pois, o “altruísmo” dos pais que alimentam, protegem e educam os filhotes, reflete apenas os mecanismos de função básica do organismo vivo que é assimilar tudo e todos, quer isto se faça pela força, quer por processos econômicos ou ideológicos... No fundo, os filhotes são a ampliação do espaço-vital dos pais no tempo e no espaço, nada tendo a relação pais-filhos da “sublimidade” que se lhe pretende atribuir, da mesma forma que não são altruístas ou magnânimos os cuidados do tirano paternalista: ambos cuidam apenas da conservação e manutenção de seu “território”, como o senhor de escravos cuida de alimentá-los porque  são um bem econômico a ser preservado.
O Estado tradicional encarna basicamente o poder político, para isto dispondo apenas da força pura. Neste Estado tradicional, o poder econômico ainda nascente (produtores, transportadores, comerciantes) e o poder ideológico (educadores, sacerdotes, artistas, cientistas, etc) conservam-se mais ou menos autônomos, na medida em que não questionam o poder do estado. Em geral, esses dois poderes abrigam-se sob a proteção do Estado, dispensando-se o Estado de controlá-los. Assim, o poder político é sempre dominador, podendo, a qualquer momento, assumir o poder econômico (estatização) e o poder ideológico (censura e propaganda) - quer dizer, totalitarismo. Mas não é fácil para o poder político dominar os demais. É muito mais difícil ainda o poder econômico e ideológico dominarem o poder político. Tradicionalmente, o poder econômico impõem-se ao poder político pela corrupção, de modo que não é verdade que o poder decorra  da posse dos meios de produção, como afirmam certas doutrinas. A luta do poder ideológico faz-se contra o poder político, primeiro, por meio do sagrado e, depois da racionalização progressiva (ciência) dos processos de produção e de governo. Frequentemente, entretanto, o poder político se exacerba e domina todos os demais, tendendo modernamente a tornar-se totalitário.
O grande pai, pois, é o poder político. Em todas as instituições (educacionais, governamentais, econômicas, etc) reproduz-se o mesmo modelo básico. Numa empresa, por exemplo, pode-se identificar o poder político nos gerentes e chefes, e o poder ideológico nos técnicos e o poder econômico nos capitalistas - podendo o equilíbrio não ser o que se apresenta na macroestrutura, pois o capitalista, por ser proprietário dos meios de produção, pode sobrepor-se aos técnicos e determinar o comportamento dos gerentes e chefes. Isso pode ocorrer ocasionalmente também no plano governamental: uma grande empresa pode determinar comportamentos ao poder político, conquanto o poder político não utilize a força para dominar o poder econômico. A sociedade anônima é uma espécie de “estatização” dos bens de uma empresa privada (com a sociedade anônima, desaparece o capitalista, isto é, o poder econômico autônomo). A experiência mostra que isto em nada modifica a estrutura de dominação das empresas. Os gerentes (o poder político) continuam a agir como se fossem capitalistas … O problema, pois, está sempre na democratização do poder político, uma vez que com este poder controlado tudo é possível em matéria de “negociação”... Se o poder mantém-se sob controle dos membros da sociedade (democracia), tudo mais pode vir a ser controlado pela ascendência que a política tem sobre o econômico e o ideológico. O problema, pois, é saber como se pode manter a democracia diante da ameaça permanente da força física … que predomina no poder político (poder executivo).

* * *

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Origem do Poder (Parte 2) [continuação]

Continuação

Capítulo 23
ORIGEM DO PODER
“Os mecanismos da Liberdade” - Lauro de Oliveira Lima



Como não há limite para o conhecimento, não há também limite para a dominação. Assim, pode-se transferir o conceito de assimilação para o conceito de poder. O poder é a manifestação social e política da maior ou menor capacidade que o indivíduo tem de assimilar (dominar) os demais indivíduos da mesma espécie. Na assimilação o aspecto afetivo é tão importante quanto os fatores intelectuais baseados na magia, no misticismo, na ideologia (carisma e culta da personalidade), isto sem nos referirmos aos fatores econômicos. Pode-se dizer que o homem tem poder virtual sobre tudo, inclusive sobre os outros homens, porque tem poder sobre um “objeto” (ou organismo ou pessoa), é um organismo ou agente que pode assimilar este “objeto”, manipulá-lo, pô-lo a serviço de seus interesses, impedi-lo de pôr em perigo sua sobrevivência, seu status, seu prestígio, obrigá-lo a agir em seu benefício, etc. Um organismo que não tem mecanismos inatos de comportamento, que pode criar ilimitados esquemas de ação e, criando esquemas novos de ação determina novas necessidades originais a elas correspondentes … esse animal pode também, pelo menos teoricamente, dominar o universo inteiro - salvo apenas se a prática demonstrar que existe um limite em sua capacidade de inventar e descobrir. A recente aventura espacial do homem é uma demonstração dessa tese: não há limite espacial ou temporal para a capacidade real ou virtual de o homem assimilar o meio.
Cada indivíduo comporta-se como se fosse o único ser vivo dentro de um universo limitado “posto a serviço” de suas necessidades, empenhando-se ferozmente a assimilar o universo inteiro. Isso, através de estratégias de ação que visem a assimilação real ou virtual do conjunto de fenômenos ou de objetos da realidade. Ora, todo esquema de ação, ao se transformar em capacidade, é estritamente adequado a determinada necessidade. Não exercer determinada capacidade é privar o organismo de uma satisfação. Como a natureza não cria capacidades que não correspondam a necessidades, a satisfação das necessidades faz parte estrita da sobrevivência. Donde se pode concluir como os tabus sociais limitam ou deformam o equilíbrio biológico do ser humano. Ora, se a capacidade de assimilação do organismo humano é ilimitada, todas as coisas que compõem a realidade estão sob seu “poder”. Não assimilar algo assimilável , pois, é diminuir a capacidade vital. Uma das maiores tolices que a humanidade vem repetindo através dos tempos, é que se pode suprimir os “instintos”, o que equivale a dizer que se devem surprimir certas necessidades básicas. A supressão dos “instintos” implicaria na eliminação dos mecanismos naturais de sobrevivência do organismo. O que se pode fazer, em relação aos “instintos” (?) individuais é estabelecer regras (acordo) de tal modo que todos os organismos da mesma espécie possam satisfazer suas necessidades, dentro do mesmo espaço vital, com o máximo de lucros e o mínimo de perdas para cada indivíduo.
Outro exemplo de deformação do processo vital é a “filosofia” hindu de eliminação de atividade sensorial em benefício das atividades virtuais (meditação), o que pode levar a uma esquizofrenia, na medida em que os sentidos são as portas de entrada da realidade e os mediadores das relações do indivíduo com o meio. A diminuição das capacidades só pode resultar de acordo em vista do bem comum e o acordo é ainda um ato de “egoísmo”, na medida em que é a única solução para garantir a sobrevivência de organismos equipotentes dentro do mesmo espaço vital. Em termos de poder, pois, pode-se dizer que o homem pode e deve dominar tudo, porque pode assimilar tudo. Observando-se a natureza, verifica-se que cada espécie de animal instintivamente domina espécies inferiores e é dominada por espécies superiores, possuindo mecanismos inatos para conviver com os demais animais da mesma espécie. Os etologistas já descreveram quais são os mecanismos de equilibração com que  os animais da mesma espécie controlam a agressão mútua. Na disputa uns com os outros por seu próprio “espaço vital”, os indivíduos da mesma espécie não ultrapassam o limiar além do qual a sobrevivência da espécie correria perigo.
Ora, o homem não tem estes mecanismos instintivos de controle da agressão (da assimilação, da dominação e do poder), isto é, não tem  limitações naturais para sua capacidade ilimitada de assimilação, ou, se quisermos  falar na linguagem dos ecologistas, não tem limitações naturais para sua hostilidade. Deve, então, “fabricá-las” ao longo de seu desenvolvimento (ontogénese) e de sua evolução (filogênese), em forma de mandamentos, códigos, tabus, etiquetas, etc., impostos ou negociados. É por isso que o homem tem que criar normas de conviver. As primeiras foram atribuídas a Deus, quando é evidente que um grupo que precisa conviver descobriria, por si mesmo, estas regras elementares por mais baixo que fosse o seu nível mental. Estas limitações ou são impostas por certos indivíduos (legisladores, guias espirituais, condutores) ou por grupos e pelo Estado, ou então resultam de acordo livre das partes segundo a lei máxima d ganhos e mínimo de perdas. Pode ocorrer que as regras, em vez de disciplinarem as relações, visem evitar que as relações se estabeleçam, e isto sempre é feito em benefício dos dominadores. Quase todos os projetos civilizatórios consistem em amortecer as relações em vez de estabelecer-se um processo que resolva o funcionamento permanente do conflito.
Assim, teremos várias hipóteses de “convivência” dos indivíduos dentro do mesmo “espaço vital”, antes que a inteligência humana alcance o nível da negociação: (a) convivem todos os indiferentes, uns aos outros, como ocorre em grau maior ou menor numa multidão (“participação” por oposição a “interação”); (b) criam-se áreas compartimentalizadas tangenciais de conivência (“a liberdade de cada um vai até onde começa a do outro”) como ocorre no sistema arcaico de castas e como continua a ocorrer no atual sistema de classes sociais; c) uns dominam simplesmente os outros, usando-os como mero mecanismo de sua atividade (como se o outro se tivesse tornado uma prótese sua), modelo que, a partir da família, propagou-se por toda a organização social nos últimos milênios (heteronomia) e que se tornou o pólo basicamente oposto à democracia sendo evidente que esta solução implica em profundo desnivelamento entre os seres humanos, desnivelamentos que provêm da aquisição de próteses que são negadas aos dominados (armas, terra, instrução, crédito, carisma, etc.); d) entram em conflito ocasional ou permanente, conflito que seria o sinal de que o “outro” não se deixou dominar, como ocorre nas chamadas democracias liberais do ocidente - a chamada “meritocracia”, que deveria ser a institucionalização do conflito permanente, é uma farsa na medida em que alguns partem para a disputa com evidentes e marcantes desvantagens, quando a instalação do conflito permanente supõe, por exemplo, alimentação e educação equivalentes desde o período da gestação, o que leva a crer que antes da instalação da democracia deverá haver um período longo de homogeneização dos indivíduos dentro da sociedade no que tange á sua capacidade de enfrentarem-se, no conflito, uns aos outros; e) a negociação de um acordo (contrato social), segundo a lei do máximo de ganhos e do mínimo de perdas, acordo que resultaria da equilibração das capacidades homogeneizadas, de tal forma que ninguém pudesse dominar os demais, pois sem esta homogeneização a democracia é uma farsa ou uma concessão dos mais fortes.
A indiferença [a] mostra que não há interesse em assimilar o outro; [b] a compartimentalização ou convivência pacífica mostra que não há conflito quanto ao espaço vital ou que invadir o espaço vital do outro implicaria um risco de destruição;  [c] a dominação demonstra que uns são mais fortes que os outros; [d] o conflito denuncia certa equivalência de forças e interesses que não foram ainda resolvidos por um acordo (luta de classes?); [e] o acordo, finalmente, revela que a inteligência encontrou uma solução para a convivência dentro do mesmo “espaço vital”. O acordo supõe (1) equipotência, (2) interesses comuns, (3) flexibilidade para encontrar uma solução segunda a lei do máximo de lucros e mínimo de perdas. Em geral só nos referimos a “poder” no caso da dominação, o que demonstra que o poder é sempre a manifestação de um desequilíbrio na relação entre os indivíduos. Se o outro não fosse inferior, surgiria o conflito na tentativa de dominação mútua e provavelmente o problema seria resolvido, ou pela mútua destruição ou pelo contrato social.
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